Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Palimpsesto

"Para sobreviver é preciso contar histórias“

Os despojos do dia

O dia perfeito para escrever sobre um dos meus autores preferidos. Hoje é o aniversário de Kazuo Ishiguro. Os despojos do dia, O gigante enterrado, Nunca me deixes, As pálidas colinas de Nagasáqui, Um artista do mundo flutuante, Quando éramos órfãos, são os títulos que li até ao momento. Noturnos e Os inconsolados esperam o momento oportuno, um momento em que possa abrir o livro com o tempo de (...)
20 Out, 2020

O Cisne Negro

Não tinha em mente reler este livro imenso, quando tenho tantos livros por ler. Mas foi irresistível o chamado do laranja intenso da sua capa, qual embalagem de vitamina C, tão conveniente nesta altura do ano. Um chamado ligeiramente contaminado pela possibilidade de passar uns bons momentos hilariantes, ao mesmo tempo que relembro as ideias propostas por este cérebro único e surpreendente, que é Nassim Nicholas Taleb. Porque parece que afinal há livros certos para certos momentos. (...)
Outrora é um lugar situado no centro do universo. As suas fronteiras cardeais são guardadas pelos quatro arcanjos, a norte Rafael, a sul Gabriel, a ocidente Miguel e a oriente Uriel. Outrora é divinamente protegida e tudo corre bem. É na floresta de Outrora que se encontra o coração do micélio, e este, sábio e intemporal, como Deus, fala a quem o escute, num sussurro que não tem tempo nem significado, apenas evidência e clareza. Como em todos os lugares pequenos há um (...)
É por isso que o mundo em que vive no presente muda pouco a pouco, adequando-se a esta nova realidade. É assim o conhecimento: o mundo altera-se de acordo com a nossa perceção. Existe, sem dúvida, aqui e agora, mas do ponto de vista fenomenológico, o mundo não passa de uma entre um número infinito de possibilidades. Somos todos loucos por aqui. Seria uma  advertência adequada a figurar nos marcadores que acompanham os livros de Murakami. Mas ninguém nos avisa. Termos lido (...)
Dei por mim a olhar para a estante, perdida nos livros, sem pensar em nada. Reler algum dos que há anos repousam as lombadas na memória fugidia? Porque não... apesar de livros por ler sobejarem sempre. Sobressaiu-se Bohumil Hrabal, na estante há 14 anos. Voltei a lê-lo, ontem. Não pude deixar de pensar neste tempo que passou, onde estava há 14 anos e como a vida se transformou desde então. Outro exercício que gosto de fazer consiste em me sentir hoje nesta história tentando (...)
16 Abr, 2020

A Mulher da Areia

Foi assim que, em consequência de se ter concentrado a desenhar na sua alma a imagem da Areia-que-desliza, o homem por vezes tinha como que sentido escoar-se o mais profundo do seu ser, dominado pela Ilusão. Kobo Abe Certo dia desapareceu um homem. Talvez não fizesse a menor diferença. Vivia sozinho e ninguém sabia da sua intenção de viajar para aproveitar o feriado. De Tóquio a Tottori a distância media-se em pensamentos sobre o alcance de um hobby. Podia a (...)
“Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia.” João Guimarães Rosa – A Terceira Margem do Rio Aquilo que não havia, acontecia! Este conto de Guimarães Rosa chegou-me para permanecer. Um conto pequeno, aparentemente de (...)