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Palimpsesto

"Para sobreviver é preciso contar histórias“

27 Dez, 2020

O tempo erodido

Neste final de ano dou por mim a pensar em Proust… em Joyce…, no tempo erodido e na inevitabilidade das escolhas. O tempo não é uma arriba! é uma escavadora de sulcos no córtex existencial. Uma fita magnética linear a revestir as paredes de memórias, em marca d’água, assinada por Khronos. Einstein sabia que o tempo não passava de uma ilusão a criar realidades na (in)consciência.

Verbalmente, o tempo é ter ou haver. Mas não o há que sobeje, nem o tenho em excedências. Uma ilusão relativa, não reciclável! Tão-somente uma medida de aferição de qualidade. ...e tantos livros por ler nas estantes…

“não tenho tempo” é um cartão de recuar, ao invés de um convite, que a lista de afazeres é só uma estranha forma de passar pelo tempo. Salve-nos Kairos! no riso, e do esquecimento, que Aion é imutável e não precisa de epítetos.

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